Geral 09/08/2017 - 12:11 - Nara Moura - Governo do Tocantins

Roda de Conversa apresenta pesquisa sobre trabalho escravo nos Estados mais críticos do País, entre eles o Tocantins

Maranhão, Tocantins, Pará e Piauí estão entre os estados com os maiores índices de trabalho escravo no Brasil. Maranhão, Tocantins, Pará e Piauí estão entre os estados com os maiores índices de trabalho escravo no Brasil. - Nara Moura - Governo do Tocantins
Frei Xavier destaca a importância de se quebrar ciclo vicioso do trabalho escravo. Frei Xavier destaca a importância de se quebrar ciclo vicioso do trabalho escravo. - Nara Moura - Governo do Tocantins
Brígida Rocha explica como foi realizada a pesquisa nos quatro Estados.  Brígida Rocha explica como foi realizada a pesquisa nos quatro Estados. - Nara Moura - Governo do Tocantins
Público presente pode comprar obras que detalham a situação degradante dos trabalhadores no Maranhão, Tocantins, Pará e Piauí. Público presente pode comprar obras que detalham a situação degradante dos trabalhadores no Maranhão, Tocantins, Pará e Piauí. - Nara Moura - Governo do Tocantins

Visando contribuir para a promoção dos direitos humanos, com ênfase na sensibilização e conscientização acerca da erradicação do trabalho escravo contemporâneo, foi realizada na manhã desta quarta-feira, 09, no auditória da Defensoria Pública Estadual do Tocantins (DPE-TO), uma Roda de Conversa sobre o trabalho escravo e o lançamento de livros da Rede de Ação Integrada para Combater a Escravidão (Raice) a respeito do tema. O evento foi organizado pela Comissão Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae-TO) em parceria com a Secretaria da Cidadania e Justiça do Tocantins (Seciju) e a DPE-TO.

Para a diretora de Direitos Humanos da Seciju, Suami Freitas, a roda de conversa é muito positiva para o combate ao trabalho escravo no Estado. “É uma forma de trabalharmos a conscientização sobre o que é o trabalho escravo. A Diretoria tem se preocupado muito com essas questões sociais e o trabalho escravo é bastante agravante, sobretudo aqui no nosso Estado, onde ainda existe muito a questão paternalista em que, ás vezes, a pessoa nem se identifica como trabalhador escravo. É preciso que o trabalhador tenha noções sobre o que significa esta situação”, ressaltou Suami.  

Frei Xavier Plassat, agente da Comissão  Pastoral da  Terra no Tocantins (CPT Araguaína-TO), coordenador da Campanha Nacional da CPT de combate ao Trabalho Escravo e membro da Coetrae, disse que a roda de conversa também serviu para apresentar um novo programa [Raice] realizado para prevenir e combater o trabalho escravo. “Um dos pontos mais complicados de se combater o trabalho escravo é que, além de ser um fenômeno invisível, pois temos que fazer um esforço considerável para o detectar, o identificar e o revelar, a gente percebe que o problema continua inteiro. Mesmo os trabalhadores que foram um dia resgatados, eles voltam para a sua situação de vulnerabilidade que os levou a serem escravizados. Esse é um ciclo vicioso e nós temos como principal desafio quebra-lo”, explicou Frei Xavier.

Já Brígida Rocha, assistente social, especialista em Gestão Pública pela Universidade Estadual do Maranhão (Uema), e representante do Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascaran (CDVDH/CB) na Comissão para Erradicação do Trabalho Escravo do Estado do Maranhão (Coetrae-MA), comentou que o diagnóstico sobre o trabalho escravo desenvolvido no Maranhão, Tocantins, Pará e Piauí, foi necessário principalmente por serem os Estados destaques tanto nos índices por encaminharem e exportarem trabalhadores para esse tipo de situação, como também por os escravizarem. “Passamos a discutir juntos como seria esse processo de pesquisa e essa metodologia. Nós não queríamos uma pesquisa estritamente científica, com estatísticas, mas qualitativa como algo que pudesse considerar os elementos que a gente já tinha em mãos de demandas do trabalho escravo. Nós nos preocupamos, especialmente, como seria a abordagem a esses trabalhadores porque o foco seria fazer o levantamento a partir da vivência dos trabalhadores, assim pudemos ter muito mais elementos que possibilitaram identificar se o trabalhador se reconhecia na situação de trabalho escravo e qual a sua compreensão sobre o que ele estava vivenciando”, destacou Brígida.   

Livros

Na ocasião também foram lançadas as obras: Por Debaixo da Floresta – Amazônia Paraense Saqueada com Trabalho Escravo e Entre Idas e Vindas – Normas Dinâmicas de Migração para o Trabalho Escravo que teve a coordenação executiva de Brígida Rocha e Carolina Motoki da Central Pastoral da Terra, no ato, representada pelo Frei Xavier.

Por Debaixo da Floresta – Amazônia Paraense Saqueada com Trabalho Escravo

Encomendada pela Comissão Pastoral da terra (CPT), dentro do Programa Raice (Rede de Ação Integrada para Combater a Escravidão), e Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascaran (CDVDH/CB), a pesquisa de casmpo na região do Rio Tapajós revela que, para a extração ilegal de madeira, hoje, aninhada em áreas “protegidas”, o trabalho escravo é prática “necessária”. Trabalhadores são abandonados à própria sorte, enredados em esquema de dependência, violência e medo.

Entre Idas e Vindas – Normas Dinâmicas de Migração para o Trabalho Escravo

Conduzida em cinquenta comunidades de vinte municípios do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, a nova pesquisa do Programa Raice (Comissão Pastoral da terra – CPT e Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascaran – CDVDH/CB), a obra mostra a realidade das famílias de trabalhadores migrantes em distintos tipos de comunidades. O estudo comprova a tese de que o trabalho escravo nunca será erradicado se não forem atacadas as causas estruturais que levam as famílias a estarem vulneráveis.

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